Autismo - Uma Vida em Poucas Palavras

Autismo - Uma Vida em Poucas Palavras

Bem vindo!

Aqui você encontrará histórias, emoções e sentimentos de uma mãe.
Bem vindos!

sexta-feira, 6 de maio de 2016

A Mãe de Verdade


Mais um Dia das Mães se aproxima e com ele as homenagens e enaltecimentos à condição materna. Mas ser mãe é um instinto feminino? Toda mulher sente-se realizada e completa ao tomar a decisão de ter um filho?  Sabemos que não.  Já são muitas que revelam sem medo de condenação, a ausência de vontade de gerar uma vida e ser responsável por este ser para todo o sempre.
Há também mães nocivas, que cometem atrocidades e punem seus filhos de maneira cruel por serem incapazes de exercer a maternidade , e que por um descuido ou irresponsabilidade colocam uma criança no mundo.
Mas se é para dedicarmos um dia especial para as mães de corpo e alma, vamos parabenizar as mulheres com capacidade de cuidar,  se doar e se superar em vários momentos.  A progenitora da vida real pode ser doce, meiga , compreensiva e zelosa,  assim como pode tornar-se uma fera,  triste ou desanimada pelas circunstâncias que a vida lhe coloca . Mas a verdadeira mãe sabe identificar suas fraquezas e excessos , e se reinventa a cada dia. Enxerga possibilidades onde ninguém mais vê. Planeja, organiza, acolhe e desbrava caminhos . Exaure o corpo e a mente,  mas pede um tempinho para si. Precisa se recompor, se energizar, se amar e sentir-se mulher.
Não há fórmula para ser uma boa mãe, até porque a tarefa para algumas é mais fácil e sem percalços. Já para outras é uma missão complexa para toda a vida.
O importante é conseguir vislumbrar a beleza e o aprendizado em todos os cenários. E se a maternidade for um caminho menos idílico do que o esperado ,  acreditar no que diz aquela bela frase: Tudo que acontece de ruim na vida da gente é para melhorar!
                                                                 
Silvia Sperling Canabarro


sábado, 2 de abril de 2016

Toda forma de amor


Natalino entrou em nossas vidas no dia 23 de dezembro de 2015. Se eu acreditasse em presentes divinos diria que foi enviado para uma missão especial. Meu marido o viu encolhido junto à roda de meu carro estacionado em frente de nossa casa. Era uma noite chuvosa e mais fresca, e o cão estava tremendo, mostrando-se bastante amedrontado. Imediatamente buscamos uma generosa porção de carne fresca e entregamos ao faminto cachorro que abocanhou-a e devorou-a em segundos.
Ele fedia muito e mancava de uma pata. Após alimentá-lo fomos dormir e o deixamos livre para seguir o caminho que quisesse. Para nossa surpresa, pela manhã o cão permanecia em frente à nossa casa , deitado, mas vigilante. Com seu olhar de pedinte, o vira-lata orelhudo ganhou mais carne e conquistou nossos corações. Foi levado até a clínica veterinária na véspera de Natal e ganhou uma consulta, anti-inflamatório e um merecido banho. Pronto! Agora ele era nosso e recebeu um nome sugestivo: Natalino.
Pode parecer uma história comum, mas o fato é que eu nunca fui apegada à animais e minha breve experiência com um filhote de cão de raça, adquirido por uma bela quantia , não foi muito animadora. Com o filhote despejando suas necessidades incessantemente em torno de si e pisoteando tudo, transformando meu lar em uma enorme latrina, resolvi rapidamente doá-lo e encerrar o assunto de animais de estimação. Mas o Natalino veio para mudar esta crença e trazer o amor na forma mais pura.
Quando ele entrou em contato com meu filho, autista, de 12 anos, não se importou com a indiferença peculiar à sua condição e mostrou realmente à que veio. Tratou de seguir e vigiar incessantemente Otávio enquanto este corria alucinadamente para seus mergulhos intermináveis.
Natalino não larga seu posto de cuidador à beira da piscina por nada. Ignora a comida e até a chuva que ele tanto teme, pois é um cão friorento. Passa horas de seu dia atento aos mergulhos de Otávio e se observa algum comportamento perigoso, late desesperadamente. Desta forma conseguiu atrair a atenção de meu filho, que acha engraçado o latido forte e o olhar intenso do animal. Otávio encontrou alguém que o acompanha na sua solitária terapia aquática. Joga água no cão que retribui a brincadeira com saltos e abocanhadas no ar, despertando admiração e risadas de meu pequeno peixinho. Natalino também suporta horas de lamúrias de Otávio, com sua tolerância canina e silêncio apaziguador.
Agora Otávio possui um amigo que o aceita do jeito que ele é, e construiu uma relação onde não são necessárias palavras nem códigos sociais para sustentar o carinho e a dedicação.
Se este encontro é obra do acaso ou resultado da intervenção divina, certamente não saberemos, mas prova que a vida pode ser mágica e que podemos encontrar o amor em qualquer lugar, há qualquer hora, de qualquer forma.
                     Silvia Sperling Canabarro

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Evento Abenepi Capítulo Gaúcho

Nossa foto : equipe organizadora, diretora Dra Maria Sônia Goergen  e palestrantes : Dr. Alysson Muotri,  Dra Norma Escosteguy e Dr. Rudimar Riesgo

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Que escola é essa?


 No final de 2014 meu filho perdeu sua escola e eu perdi minhas  palavras. Lhe retiraram o espaço onde
cresceu e no qual conquistou o respeito e carinho dos 
colegas.
 Otávio, com suas grandes dificuldades de aprendizagem e enorme afetividade,  foi convidado a desligar - se da instituição de ensino privado, seu porto seguro durante 7anos.  O revoltante é que a  expulsão não foi por algum comportamento impeditivo de convívio social , mas pelo fato de eu expor o baixo
comprometimento docente. 
  Sempre fizemos  o que estava ao nosso alcance.  
Contratamos uma pedagoga para acompanhá - lo ,  
reduzimos sua carga horária diária para 2 horas mantendo o mesmo custo mensal e, disponibilizamos equipe especializada para dar suporte. 
   Frente à esta rasteira fui em busca de uma
instituição para crianças com necessidades especiais .
Lá fui alertada sobre as potencialidades de meu garoto e estimulada a mantê-lo no ensino regular. Ouvi sucessivas negativas na rede privada e já  desiludida com a farsa intitulada de escola inclusiva,  me despi de preconceitos e fui conhecer a realidade de uma escola pública municipal. 
 Há muito tempo não éramos tão bem recebidos!  A vaga era real e o trâmite para sua transferência foi ágil. As pessoas foram calorosas, empáticas e os colegas receberam meu filho sem julgamentos ou temores,  somente com muito afeto e desejo de ajudar. A equipe é 
envolvida no tão sonhado trabalho de inclusão e está 
aberta à participação de especialistas na construção da 
abordagem pedagógica. A estrutura e os recursos estão distantes do que temos na rede privada,  mas do que 
adianta termos acesso à ferramentas se não temos a
vontade de construir algo diferente e desafiador? 
 Pois sigam com a falácia da inclusão escolar,  
extorquindo famílias dispostas à tudo para  garantir uma oportunidade de desenvolvimento para seus filhos 
atípicos. 
Eu sigo um novo trajeto rumo à esta luz de esperança,  
atrás de uma velha porta e de muros desgastados,  que
abrigam corações gigantes e braços que confortam.

                                          Silvia Sperling Canabarro