Autismo - Uma Vida em Poucas Palavras

Autismo - Uma Vida em Poucas Palavras

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Aqui você encontrará histórias, emoções e sentimentos de uma mãe.
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sábado, 13 de maio de 2017

Todos pela educação?



 Quando Otávio tinha 2 anos e o diagnóstico de autismo desabou sobre nossas vidas, uma de nossas preocupações foi a sua inserção na vida escolar . Nesta época lembro que, apesar de  algumas recusas de ingresso apoiadas em explicações singelas, não considerei uma tarefa difícil encontrar uma boa escola que o acolhesse. Assim, na educação infantil tivemos a sorte de contar com algumas professoras envolvidas em incluir meu filho e auxiliá-lo no processo de aprendizagem. Nestes anos iniciais os docentes já contavam com o apoio de uma monitora específica para ele, custeada por nós, pais, que considerando (erroneamente) a aceitação de nosso filho uma ação benevolente por parte da instituição, nos curvávamos a todas solicitações impostas pela diretoria. Já na educação fundamental percebi a esdrúxula condição que aceitávamos para nosso filho permanecer em uma conceituada escola regular privada. O manejo e processo educativo de Otávio passou a ser competência da estagiária, que tornou-se nossa funcionária, por imposição da escola que não quis contratar a profissional. Rebelei- me e escrevi sobre a amargura desta falsa recepção e aceitação do aluno especial em sala de aula. Como consequência deste desabafo sem nenhuma referência explícita aos envolvidos, veio a expulsão de Otávio. Então, após sete anos na renomada escola, deparei-me com a dura realidade do sistema educacional. Só consegui entrevistas inquisitivas e massacrantes, que expunham as fragilidades de meu filho e me revelavam a indisponibilidade das instituições em aceitá-lo.Com perseverança e desprendimento busquei alternativas na rede pública e fui surpreendida pelo belo trabalho realizado em uma escola de periferia, onde não faltou boa vontade para,  não somente acolhê-lo, mas efetivamente incluí-lo. Foram dois anos de alegrias e conquistas, mas com a chegada dos 13 anos de Otávio e com sua lenta evolução cognitiva e discrepância intelectual em relação aos colegas, tomei a difícil decisão de transferi-lo para uma escola especial. Talvez fosse interessante um local preparado desde à concepção para receber o aluno com necessidades especiais, com a metodologia coerente às suas especificidades e profissionais treinados para auxiliá-lo no despertar de suas potencialidades e aptos a manejar as intercorrências inerentes à sua patologia. Esta inferência foi revelada verdadeira. As escolas especiais municipais de Porto Alegre  são tesouros abandonados, com seres humanos preciosos que despendem sua energia, capacidade intelectual e afeto em prol dos indivíduos com deficiência. Mas, assim como toda a rede pública encontra-se sucateada, as escolas especiais não diferem desta realidade. No local onde mais se precisam de recursos humanos,  faltam profissionais e atrasam-se verbas. Meu filho foi recebido maravilhosamente, mas com a frequência limitada a três vezes por semana com a duração 1h e 45minutos o turno. Essa estratégia, tida como forma de adaptação ao novo ambiente , duraria um breve período. Porém, após dois meses neste esquema revela-se a notícia de que sua frequência permanecerá em três dias da semana com o aumento de 30 min. , pois houve redução no quadro funcional da escola. Decido então utilizar novamente minha ferramenta, a escrita. Preciso expor minha indignação com o descaso da gestão municipal e o abatimento frente a esta  incansável luta pelo direito à educação de meu filho. Meu marido e eu fazemos o que está ao nosso alcance, mas a lacuna em seu processo de aprendizagem não podemos preencher. Não tenho formação pedagógica para exercer o papel de professora. Já tento fazer o meu melhor como progenitora, e o faço de maneira bem precária, pois ser uma mãe exemplar de autista é atuação merecedora de Oscar. Mas este papel cabe a mim e não posso delegá-lo. Porque o Estado delega o seu papel de garantir a educação de meu filho à mim? O que faço com ele no tempo restante em que ele se encontra sem escola? Terei que me resignar e assumir que ele é um empecilho para a rede pública e privada de educação?
Meu filho precisa ter garantida a carga horária escolar como todos os estudantes normotípicos. E se a educação é para todos, os jovens com necessidades especiais devem ser incluídos de forma concreta e efetiva na rede.Esse é um direito constitucional que infelizmente precisa ser reivindicado de maneira sistemática e emblemática, para tornar-se uma realidade em nosso país.

                         
 Silvia Sperling Canabarro

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Divulgação de um lindo projeto

Superprodução inclusiva leva Dom Quixote aos palcos 


Marco do quarto centenário de morte de Cervantes, espetáculo conta com o envolvimento de 150 pessoas e faz refletir sobre valores e inclusão social
Pioneiro no Brasil no trabalho educacional voltado a deficientes, o Instituto Ser apresenta uma superprodução do clássico literário de Miguel de Cervantes, Dom Quixote de La Mancha, no Theatro Municipal de Paulínia. Adaptação musical, com base na metodologia pedagógica do Instituto Ser, a transdisciplinaridade, o espetáculo levará ao palco 60 pessoas com deficiência, com idades entre 5 e 45 anos e, entre eles, bailarinos profissionais, atores e músicos, totalizando mais de 150 pessoas.
De acordo com Cláudia Dubard, diretora do Instituto Ser, o musical é uma forma de mostrar o melhor de cada uma das pessoas envolvidas no espetáculo. “É de extrema importância essa interação social através da fala, da dança e da música, e o quanto tudo isso agrega ao tratamento para as pessoas com TEA – Transtorno do Espectro do Autismo. Somamos ações que contemplam o tratamento”, comenta.
A apresentação de Dom Quixote acontece nos próximos dias 26 e 27 de outubro, no Theatro Municipal de Paulínia, sendo que o primeiro dia será voltado exclusivamente a alunos de escolas das redes pública e particular da região, em uma iniciativa inédita e admirável de conscientização.
O Espetáculo 
A adaptação musical inclusiva do Instituto Ser é baseada na obra literária de mesmo nome de Miguel de Cervantes, no musical Homem de La Mancha, de Dale Wasserman e no Ballet Dom Quixote, do Ballet Imperial. A peça narra a história de um fidalgo sonhador que resolve ser um cavaleiro andante e se transforma no famoso “Dom Quixote de La Mancha”. É um protagonista que faz rir, sorrir e possui o dom  de colocar em sintonia duas dimensões da vida, o sonho e a realidade.
O personagem é icônico na obra de Cervantes, um dos maiores escritores do mundo, cujo quarto centenário de morte foi comemorado em 23 de abril desse ano. Escolhido por expor, através de sua saga, valores sociais dos mais diversos, o enredo da história e seus aspectos mais relevantes  foram trabalhados com os educandos ao longo de 2016. 
A idealização do espetáculo oferece aos envolvidos nos processos de preparação, entre crianças, jovens e adultos, a oportunidade de mostrarem suas habilidades artísticas por meio da dança, música e teatro e nesse sentido, a arte contribui com o tratamento da saúde mental. “A superprodução nos envolve e leva a refletir sobre a real arte de incluir”, diz Cláudia. 
Para cenografia e adereços, o Instituto Ser contou com o envolvimento e participação do artista plástico campineiro Jucan Cândido e do famoso cenógrafo Jésus Sêda, além da participação de Emerson Mosca nos figurinos. “ Para a inclusão, mostramos o melhor de nossas ações e a interação com elas nos mostram resultados extraordinários”, conclui Cláudia.
Inserção social através da arte 
Trazer Dom Quixote para o Instituto Ser possibilitou uma releitura da obra, nos seus conceitos sobre relacionamentos e valores humanos. “Eles trabalharam a literatura, estudaram sobre Miguel de Cervantes, os costumes, vestimentas, valores da época e atualidade. Há um processo de envolvimento e comparação para, então, darmos início à produção do espetáculo em si. Só aí trabalhamos como será a composição da peça, cenário e figurino. Eles têm participação ativa em todos os processos”, declara Cláudia. 

Além do espetáculo, o público também poderá conferir uma exposição com trabalhos artísticos desenvolvidos pelos educandos em diferentes momentos do estudo e atividade sobre a obra Dom Quixote. São quadros, esculturas e objetos de autoria e expressão dos educandos sobre o personagem, sendo que o resultado dessas oficinas representa o que conseguiram reter do processo.
Sobre o Instituto Ser
O Instituto SER atua no tratamento transdisciplinar e na escolarização de crianças, jovens e adultos deficientes. Fundada em 1989, a organização oferece suporte e tratamento a pessoas com: autismo, hiperatividade, transtornos de personalidade ou comportamento, transtornos de humor, de aprendizagem, déficit de atenção, transtornos das habilidades motoras, retardos mentais ou psicomotores e outros. Além de proporcionar acesso a conteúdos norteados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, a clínica escola tem o objetivo promover a inclusão social por meio do desenvolvimento de atividades como artes, oficinas de artesanato, estudos do meio, teatro, aula de música, computação e esportes.
O Instituto SER realiza um trabalho de estimulação para crianças de 0 a 4 anos e educacional direcionado a pessoas deficientes na faixa etária de 5 a 40 anos. O conteúdo pedagógico abrange o ensino fundamental e ensino médio, trabalhados em parceria com o CEEJA (Centro Estadual de educação de Jovens e Adultos).
Psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, educadores físicos, fisioterapeutas e pedagogos buscam dia a dia desenvolver habilidades de comunicação e socialização, apoiando os educandos na inserção no mercado de trabalho, na continuidade do aprendizado e na adaptação à vida em sociedade.  
Serviço:
O que: Espetáculo Dom Quixote
Quando: 26 e 27 de outubro
Hora: às 20h
Local: Theatro Municipal de Paulínia
Valor do ingresso: R$40 (inteira) e R$30 (meia) – antecipados
                              R$60 (inteira) e R$30 (meia) – na hora
Informações: (19) 3272-2520 – www.institutoser.com.br 




 


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Nova Ferramenta!

Pessoal,
Como venho tendo cada vez menos tempo e disciplina para escrever, estou inaugurando um canal no YouTube chamado também de Autismo- Uma Vida em Poucas Palavras. Lá pretendo publicar vídeos da rotina de Otávio, dicas de atividades e como sempre, compartilhar vivências.  Espero vocês lá. Bjos💋💋💋

sexta-feira, 6 de maio de 2016

A Mãe de Verdade


Mais um Dia das Mães se aproxima e com ele as homenagens e enaltecimentos à condição materna. Mas ser mãe é um instinto feminino? Toda mulher sente-se realizada e completa ao tomar a decisão de ter um filho?  Sabemos que não.  Já são muitas que revelam sem medo de condenação, a ausência de vontade de gerar uma vida e ser responsável por este ser para todo o sempre.
Há também mães nocivas, que cometem atrocidades e punem seus filhos de maneira cruel por serem incapazes de exercer a maternidade , e que por um descuido ou irresponsabilidade colocam uma criança no mundo.
Mas se é para dedicarmos um dia especial para as mães de corpo e alma, vamos parabenizar as mulheres com capacidade de cuidar,  se doar e se superar em vários momentos.  A progenitora da vida real pode ser doce, meiga , compreensiva e zelosa,  assim como pode tornar-se uma fera,  triste ou desanimada pelas circunstâncias que a vida lhe coloca . Mas a verdadeira mãe sabe identificar suas fraquezas e excessos , e se reinventa a cada dia. Enxerga possibilidades onde ninguém mais vê. Planeja, organiza, acolhe e desbrava caminhos . Exaure o corpo e a mente,  mas pede um tempinho para si. Precisa se recompor, se energizar, se amar e sentir-se mulher.
Não há fórmula para ser uma boa mãe, até porque a tarefa para algumas é mais fácil e sem percalços. Já para outras é uma missão complexa para toda a vida.
O importante é conseguir vislumbrar a beleza e o aprendizado em todos os cenários. E se a maternidade for um caminho menos idílico do que o esperado ,  acreditar no que diz aquela bela frase: Tudo que acontece de ruim na vida da gente é para melhorar!
                                                                 
Silvia Sperling Canabarro


sábado, 2 de abril de 2016

Toda forma de amor


Natalino entrou em nossas vidas no dia 23 de dezembro de 2015. Se eu acreditasse em presentes divinos diria que foi enviado para uma missão especial. Meu marido o viu encolhido junto à roda de meu carro estacionado em frente de nossa casa. Era uma noite chuvosa e mais fresca, e o cão estava tremendo, mostrando-se bastante amedrontado. Imediatamente buscamos uma generosa porção de carne fresca e entregamos ao faminto cachorro que abocanhou-a e devorou-a em segundos.
Ele fedia muito e mancava de uma pata. Após alimentá-lo fomos dormir e o deixamos livre para seguir o caminho que quisesse. Para nossa surpresa, pela manhã o cão permanecia em frente à nossa casa , deitado, mas vigilante. Com seu olhar de pedinte, o vira-lata orelhudo ganhou mais carne e conquistou nossos corações. Foi levado até a clínica veterinária na véspera de Natal e ganhou uma consulta, anti-inflamatório e um merecido banho. Pronto! Agora ele era nosso e recebeu um nome sugestivo: Natalino.
Pode parecer uma história comum, mas o fato é que eu nunca fui apegada à animais e minha breve experiência com um filhote de cão de raça, adquirido por uma bela quantia , não foi muito animadora. Com o filhote despejando suas necessidades incessantemente em torno de si e pisoteando tudo, transformando meu lar em uma enorme latrina, resolvi rapidamente doá-lo e encerrar o assunto de animais de estimação. Mas o Natalino veio para mudar esta crença e trazer o amor na forma mais pura.
Quando ele entrou em contato com meu filho, autista, de 12 anos, não se importou com a indiferença peculiar à sua condição e mostrou realmente à que veio. Tratou de seguir e vigiar incessantemente Otávio enquanto este corria alucinadamente para seus mergulhos intermináveis.
Natalino não larga seu posto de cuidador à beira da piscina por nada. Ignora a comida e até a chuva que ele tanto teme, pois é um cão friorento. Passa horas de seu dia atento aos mergulhos de Otávio e se observa algum comportamento perigoso, late desesperadamente. Desta forma conseguiu atrair a atenção de meu filho, que acha engraçado o latido forte e o olhar intenso do animal. Otávio encontrou alguém que o acompanha na sua solitária terapia aquática. Joga água no cão que retribui a brincadeira com saltos e abocanhadas no ar, despertando admiração e risadas de meu pequeno peixinho. Natalino também suporta horas de lamúrias de Otávio, com sua tolerância canina e silêncio apaziguador.
Agora Otávio possui um amigo que o aceita do jeito que ele é, e construiu uma relação onde não são necessárias palavras nem códigos sociais para sustentar o carinho e a dedicação.
Se este encontro é obra do acaso ou resultado da intervenção divina, certamente não saberemos, mas prova que a vida pode ser mágica e que podemos encontrar o amor em qualquer lugar, há qualquer hora, de qualquer forma.
                     Silvia Sperling Canabarro

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Evento Abenepi Capítulo Gaúcho

Nossa foto : equipe organizadora, diretora Dra Maria Sônia Goergen  e palestrantes : Dr. Alysson Muotri,  Dra Norma Escosteguy e Dr. Rudimar Riesgo