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terça-feira, 19 de abril de 2011

Ser Mãe

SER MÃE
Quando uma mulher torna-se mãe ela é inundada por sentimentos de onipotência e de esperança, como se ela fosse poderosa o suficiente para gerar uma pessoa perfeita: feliz e saudável, e com qualidades que ela julga necessárias a uma vida plena, como a beleza, a inteligência, astúcia e o carisma. A mãe vê famílias vendendo a imagem de realização, meninos espertos que são craques no futebol e mais hábeis na tecnologia do que os próprios pais, e meninas aptas a conquistar a admiração necessária ao sucesso, seja pelos atributos físicos ou pelo desempenho intelectual.
Assim sendo conduzidas nossas expectativas não nos preparamos para a espera da imperfeição. O que fazer quando um filho nasce e cresce de modo distinto à estas exigências da sociedade?
Meu filho me trouxe esta reflexão. Quando nasceu há sete anos sendo um menino bonito e esperto, e apresentando grande destreza motora durante seu crescimento, jamais imaginei ter que lidar com uma deficiência. Mas ela estava presente ali silenciosa. Assim é o autismo, uma doença neurológica sorrateira, que mostra sua face perversa geralmente após o segundo ano de vida da criança. Até este período ou os sintomas são muito tênues, quase imperceptíveis ou realmente nada diferente é apresentado.
Assim, com a descoberta da doença de meu pequeno, tive que aprender a encarar noites de insônia, ataques de birra, manias alimentares, esteriotipias motoras e uma gama de surpresas desagradáveis que o autismo traz consigo. Tive que desconstruir a idéia de perfeição e adequação para a partir daí descobrir o real significado de ser mãe. Ser mãe é acolher uma pessoa diferente em características físicas e emocionais de nós, compreender estas diferenças e amá-la mais do que a si própria. Ser mãe é dar condições desta pessoa desenvolver-se plenamente, dentro de suas capacidades sem criar expectativas de sucesso e glória. Ser mãe é descobrir que nos tornaremos poderosas sim, não a ponto de comandar o destino, mas para desbravar as adversidades e incorreções que a vida nos ofertar, pois basta a conquista de um abraço e um sorriso de nossos filhos para sermos invencíveis.
Silvia Sperling.

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